O curso de graduação em Medicina da FMC, iniciado em 1967, a partir da demanda autêntica da comunidade e da abnegação de seus fundadores, apresentou, como seu objetivo finalístico regimental inicial, "formar o médico geral, com ampla concepção biológico-social de saúde e enfermidades, orientando-o na prática dos princípios éticos e humanitários", acrescido em 1999 de "procurar servir como exemplo de desenvolvimento científico, de trabalho em equipe, de respeito à dignidade humana, de atenção sanitária, visando à promoção da saúde individual e coletiva, com utilização racional dos recursos disponíveis, respeitando o meio ambiente".
O perfil profissional indicado sempre obedeceu, portanto, a uma orientação geral, terminal e voltada para as necessidades sociais. O modelo pedagógico implantado obedeceu ao paradigma vigente, de então, na educação médica nacional, centrado no biológico, cartesiano, com disciplinas divididas em Ciclo Básico e Clínico, com internato em 01 ano de rodízio nas quatro áreas básicas, com práticas laboratoriais nos primeiro anos e hospitalares nos subseqüentes.
A estrutura curricular apresentou, no entanto, desde o princípio, uma baixa incidência de disciplinas voltadas para especialidades clínicas, priorizando, em sua distribuição horária, as Clínicas Médica, Cirúrgica, Pediátrica e Toco-Ginecológica. O perfil docente implantado sempre contou com uma mescla de notáveis mestres de prestígio nacional, importantes especialistas formados na excelência dos serviços de referência nacional e jovens e inquietos docentes que mesclavam a profundidade do conhecimento com a busca de inovações e aperfeiçoamento pedagógico.
Estas inovações passaram, nos anos 70, pelas primeiras experiências problematizadoras, de desenvolvimento de habilidades e de integração docente-assistencial (OPAS-KELLOGG). Conseguiu-se estabelecer uma Escola modesta, séria, consciente de suas limitações e que buscou sempre, priorizando o ensino em sua graduação, alcançar nacionalmente um conceito satisfatório, coerente com as suas finalidades. Porém, como a maioria das escolas brasileiras, a FMC, até hoje centrada no paradigma flexineriano, cartesiano, biologicista, privilegiando a doença, também sentiu-se na necessidade de rever seus paradigmas. Viemos do paradigma iluminista, fascinado pela racionalidade fechada, negando-se a possibilidade do novo e do diverso.
Hoje, pela evolução das Ciências e da Física Quântica, o conhecimento deixa de exprimir-se em um sistema fechado, deixando lugar à possibilidade de um conhecimento parcial de um mundo aberto de cuja construção o homem participa; conhecimento amplo, não mais delimitado num único campo do saber. Conhecimento global, multifacetado, aberto a outros saberes. Não há mais um saber hegemônico, mas múltiplos saberes que se somam, neste mundo globalizado, organizado em redes, sem fronteiras.
Segundo Pierre Weil, no paradigma holístico (holos = todo) o todo e suas partes se influenciam e se determinam reciprocamente e seus caracteres individuais aparecem de certa forma fundidos.
A síntese afeta e determina as partes. O todo está nas partes e a parte está no todo. Como consequência deste paradigma, o homem é visto numa perspectiva integrada, que não aceita dicotomia. O ser humano passa a ser considerado como um todo de natureza física, intelectual, emocional, espiritual.
Cabe-nos reconhecer a importância do fenômeno e compreendermos que ele é complexo e interligado a muitos fatores. Aponta-se, então, para um novo paradigma, em que a "Medicina não é ciência biológica e sim uma ciência humana com base na Biologia", ressaltando-se a importância da formação humanística do médico e a necessidade de flexibilização estrutural, institucional e mental do processo de mudança curricular do curso médico de graduação.
Hoje, as escolas médicas têm mais um desafio: substituir o currículo mínimo por um conjunto de diretrizes curriculares, elaborá-las como resultado de um processo coletivo de discussão do ensino médico no Brasil (CINAEM) e em Campos, a partir de 1993. São oportunidades valiosas para redefinirmos os objetivos do ensino médico e sua estruturação curricular.
Em qualquer plano, as modificações curriculares dependem das condições de trabalho, das instalações e recursos disponíveis, da adequação da proposta a alunos.
Vemos o currículo por construção social que se elabora no cotidiano das relações institucionais, podendo ser analisado como:
1. função social, refletida na relação escola-sociedade;
2. projeto ou plano educativo;
3. campo prático que permite analisar a realidade dos processos educativos; 4. espaço de articulação entre a teoria e a prática;
5. objeto de estudo e investigação.
Cabe à instituição a responsabilidade de garantir que, durante a fase de planejamento do currículo, haja mecanismos de participação dos sujeitos envolvidos: alunos, professores, direção e funcionários. O sucesso de uma proposta curricular depende do trabalho cooperativo e contínuo entre as pessoas envolvidas.
Não existe o caminho, mas caminhos, uma pluralidade deles. Contudo, é necessário escolher algum. E escolher é sempre um risco. Nada nos assegura o resultado do caminho escolhido. Porém esta opção não é abstrata, é necessário construí-la. Nesta construção, nos encontraremos com outros construtores.
Acreditamos que "a ousadia do fazer é que abre o campo do possível". E é o fazer, com seus erros e acertos, que nos possibilita a construção de algo consistente. Ousamos fazer, mas não partimos do zero. Temos uma história que nos possibilita vislumbrarmos pistas e caminhos.
Ato legal de reconhecimento do Curso:
A Faculdade de Medicina de Campos é um estabelecimento particular isolado de Ensino Superior, autorizada e reconhecida, respectivamente, pelos Decretos Presidenciais n.ºs 61.380 de 18 de setembro de 1967 e 71.814 de 07 de fevereiro de 1973.
Conceitos obtidos nas últimas Avaliações realizadas pelo M.E.C.:
Na Avaliação das Condições de Oferta de cursos de Medicina promovida pela SESu/DEPES/MEC a Faculdade de Medicina de Campos obteve os seguintes conceitos: Regular em Corpo Docente; Bom em Organização Didático-Pedagógica e Bom em Instalações.
O Exame Nacional de Cursos (Provão) promovido pelo INEP/MEC em 1999, atribuiu conceito E correspondente à média 43,7% obtida pelos alunos concluintes do curso de 1999. Este conceito está situado na faixa abrangida entre 63,2 (A) e 33,3 (E) que engloba os81 curso de medicina avaliados.
No ano de 2000 a Faculdade de Medicina de Campos obteve o conceito B correspondente à média 53,5 situada entre 55,6 (A) e 19,7 (E). Observação A metodologia adotada pelo INEP obriga a seguinte classificação: 12% da maiores no conceito A; 18% no conceito B; 40% no conceito C; 18% no conceito D e 12% no conceito E.
No ano de 2001, a Faculdade de Medicina de Campos obteve o conceito C correspondente à média de 50,3, não sendo mais divulgados pelo MEC às médias extremas.
No ano de 2002, a Faculdade de Medicina de Campos obteve o conceito C, não sendo mais divulgados pelo MEC às médias extremas.
Esclarecemos, por fim, que o MEC, levando em conta os conceitos obtidos nas Condições de Oferta e no Exame Nacional de Cursos, indicou ao Conselho Nacional de Educação que o reconhecimento do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Campos fosse renovado por três anos no mínimo o que foi referendado pela Portaria nº 1.821 de 31 de outubro de 2000 do MEC.
No ano de 2002, a Faculdade de Medicina de Campos obteve o conceito C, não sendo mais divulgadas pelo MEC às médias extremas.
No ano de 2004, a Faculdade de Medicina de Campos obteve o conceito 4. |